Dois anos de interregno. Qualquer coisa realmente relevante para retomar a prosa...
Criação audiovisual para o tema We Used To Wait. Arcade Fire. The Suburbs. Diferente para cada um de nós.
+ www.thewildernessdowntown.com
Curiosidade? Descobrir o álbum.

björk . wanderlust (2008)

vampire weekend . vampire weekend (2008)

o avante camaradas dispõe aqui o disco de verão 2008. Aproveito o contexto para inserir a expressão «Piña Colada», que me apraz sobejamente na sua simbiose entre ambiente urbano e danceterias de índole tropical.

+ ver: mansard roof

+ ver: a-punk

+ transferir o álbum

+ myspace

Control

de Anton Corbijn (2007)

informação superficial e promocional: biopic sobre a curta, mas prolífica, carreira de Ian Curtis nos Joy Division. Descrição muito aquém. Control desmistifica em vez de mitificar. Nada de glorificações e mitos.

Uma reflexão sobre a dificuldade de expressão, sobre o descontentamento, sobre a inspiração no quotidiano, sobre o momento em que comunicar já não é suficiente, sobre se é tudo pasível de controlo ou se existe a inevitabilidade.De como a genialidade é um mito e a inovação surge por acaso. Não há estrelas. Há gente. Como nós... Num registo estético irrepreensível.

+ ver: trailer

Estou em crer que a melhor imagem para ilustrar a contemporaneidade é um sistema de rega automático num dia de chuva.

josé gonzaléz . in our nature (2007)

... assim, coisas simples.

+ ver: teardrop

+ ver: heartbeats

+ myspace

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studio . west coast (2007)
há vinte anos o compact disc era um produto honesto e de referência. Discretamente, a um canto da contracapa, figuravam as iniciais aad/add/ddd que indicavam o método (analógico ou digital) para cada uma das partes do processo de gravação: gravação inicial, mistura e mastering. Coisas entretanto perdidas.
West Coast é uma gravação DDD. Está na capa. Não engana. Honesto, simples, preciso, milimétrico, sem artificialismos. Qualidade sem ornamentos. Moderno. Parte dos estilhaços do pós-coisas-dos-anos-80, dub, synth-pop, disco, krautrock e faz a une as peças no presente. Excepcional.

Quando me perguntam por experiência profissional, digo que gosto de empregar verbos.

De entre as pouquíssimas coisas que me atormentam a calma e fomentam a irritabilidade, nas quais se inclui, mas não se limitam a, a percepção auditiva de uma escova de roupa, de plástico, numa lavagem manual num tanque, o cheiro a fósforos suecos, ou então indivíduos anónimos que possuem a {inserir antónimo de destreza} intelectual de aumentar exponencialmente a velocidade de marcha quando estão a ser objecto de uma ultrapassagem, ou então ainda, e para rematar como exemplo, as cartas dos leitores à redacção/consultório/horóscopo da TV7dias em cuja legenda se possa ler "leitora identificada". Que raio é um leitor identificado? Como dizia, de entre um número reduzido e hermético de pequenas coisas capazes de me fazer cravar as unhas no respectivo dedo imediatamente adjacente, pelo lado direito apenas, porque cravar da direita para a esquerda é mais complicado, fazem parte a panóplia de símbolos e quadradinhos de links do youtube, que insistentemente ganham vida e contornos próprios impedindo o regozijo de poder assistir convenientemente e confortavelmente a quatro minutos de película pixelizada, é certo, mas resultado merecido de algum esforço e dedicação na introdução de parâmetros na caixa do search. Eis que quando indadvertida ou vertidamente se passa o cursor e Zás!, o ecrã fica invadido por janelinhas em dimensão reduzida remetendo o objecto da nossa atenção para um segundo plano. Isto é em tudo semelhante a ter livros ou garrafas ou pacotes de água e sal defronte do ecrã da televisão: ninguém gosta. E ninguém vê televisão nessas condições. A diferença está em que as garrafas estão ao alcance de uma mão, ou, vá lá, de um pé para os mais sedentários, sendo facilmente amovíveis. Experimente-se por sua vez, retirar os quadradinhos da jenela do seu tubo. Já levei a cabo morosas e fatigantes experiências, inclusive recorrendo a vários tipos de ratos e cursores, e o comportamento destas perturbações é, no melhor dos sentidos, aleatório, e no pior dos sentidos errático (o que também me levou à conclusão que isso dos sentidos é igual, a direcção é que faz a distinção). Clique-se então fora da página e aquelas coisas mantêm-se. Clique-se dentro e abrem-se novas janelas. Clique-se nos links e eles fogem assustados. Clique-se para fechar e aparecem novos links vindos do nada. E o comportamento deles hoje não é o mesmo de amanhã. É inútil. Em dez segundos toda a nossa existência não se compadece de qualquer controlo. Eu não sou orgulhoso e sei quando a tecnologia me ultrapassa. Hoje em dia tento não tocar sequer no rato. E também não ranger muito a cadeira ou inspirar com alguma força, não vão eles aparecer.

caribou . andorra (2007)

proposta em formato pop para dezembro. Puzzle de melodias e influências, maior expressão da voz, canção.

+ ver: Melody Day

+ ver: She's the One

+ myspace

+ transferir

na foto: Álvaro Cunhal à saída do autocarro no dia 26 de Abril: o primeiro dia em que deixa a clandestinidade e, portanto, compra um bilhete para evitar mais chatices com o revisor.

v.a. / italians do it better presents: after dark (2007)

pode toda uma época ser reinterpretada?... poder-se-à fazer uma obra intemporal a partir dos estilhaços de um facto particular?... Fenómeno simultâneamente kitsch, inovador, descentralizador e profundamente Europeu, o Italo Disco da década de 80 seria ponto de partida para múltiplas manifestações e revivalismos. Mas o que After Dark procura não é o maneirismo... é a atmosfera: procurar no desiquílibrio do passado o equilíbrio presente.

diferente... fundamental neste Outono.

+ ver.ouvir: Chromatics - In the city

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battles / mirrored (2007)

coisas há que se definem assim, que captam a essência do próprio tempo, do presente. Mirrored é a síntese deste início de século: das tendências musicais, das progressões técnicas, do fim do conceito de estilo, do permanente post-qualquer-coisa... Análise crítica, estudada, meticulosa. Presente e passado juntos e filtrados no seu âmago para definir o futuro.

Essencial.

+ ver / ouvir : Atlas

+ internet

+ clica no senhor para ele interagir contigo novo teledisco para Neon Bible, dos Arcade Fire

boards of canada - trans canada highway (2006)
boards of canada - geogaddi (2002)
acima de tudo, uma experiência estética, reveladora da aproximação do som e da imagem. Plena de elementos distantes e, curiosamente, tão familiares e inconscientemente reconhecíveis.

A máquina onde compro tabaco pela manhã, faz sempre o troco nas moedas de mais baixo valor possível. Depois do meio dia nunca tem troco.

A máquina onde levanto dinheiro de manhã dá notas de 10 qualquer que seja a importância requisitada. A partir do meio dia só tem notas de vinte e cinquenta.

A inteligência artificial é um mito!

A técnica caminha na direcção da parvoíce artificial.

fujiya & miyagi - ankle injuries

história trágica com final feliz de Regina Pessoa (2006)

panda bear . person pitch (2007)
album a solo de noah lennox, animal collective.
intrigante, diferente, etéreo... Uma atmosfera bastante particular.... Luminosa.

tv on the radio - province (2006)

castanets - cathedral (2004)
uma viagem de descoberta, indefinida, profunda, metafísica. Um processo meticuloso de destilação do superfluo. Voltar a sentir as coisas simples.
Ensemble a descobrir... lentamente, mais uma voz da new weird america. Por entre cactos e castanheiros.

m. ward - transfiguration of vincent (2003)
uma proposta acústica.
Para contemplar a precipitação que se avizinha...

La Science des Rêves
de Michel Gondry (2006)

uma incursão no encanto visual de Michel Gondry. A ténue separação entre a imaginação e a realidade e o retrato dos momentos como o desejaríamos que fossem.

A partir de uma história simples, são sobretudo os momentos de divagação onírica que fazem da ciência dos sonhos uma experiência visual a descobrir...

+ preview

do papel de parede
tenho sempre defendido a reabilitação do papel de parede. E absolutamente contra a ideia de que é um mero disfarce ou uma coisa efémera. Se este blog(ue) é panfletário, panfleto aqui em defesa de um revestimento que tem inúmeras possibilidades e que cria ambientes únicos, mas que infelizmente se continua a associar a padrões e geometrias muito particulares do fim do século xix e dos anos 70.
Vem isto a propósito da linha ICONIC, da B&N: painés laminados de revestimento que retomam e actualizam o conceito do papel de parede.

deerhoof - friend opportunity (2007)
a palavra desconstrutivismo, para além de ser gira e pós-moderna, pode ser aplicada em inúmeras situações de objectos heterógeneos... Último album dos Deerhoof, uma desconstrução musical de vários estilos. A descobrir.

dizer que tudo está inventado é um engano... e para os momentos em que a inspiração tarda a surgir... vale a pena observar o trabalho dos irmãos Bouroullec. Sobretudo neste artigo da Arkinetia. Tiles system, módulos têxteis de construção de paredes semi-rígidas; algae, peças de construção de divisórias que permitem permeabilidades visuais de diferentes intensidades (ilustração em cima) e nuages, peças de mobiliário modular. O que se destaca, para além da inovação e completa originalidade, é a capacidade efectiva de permitir inúmeras combinações e possibilidades, tanto formais como cromáticas. + bouroullec.com

thom yorke - harrowdown hill

Les Glaneurs et la Glaneuse de Agnés Varda (2000)
uma reflexão sobre a cultura contemporânea, de como a cultura da perfeição gera desperdícios absurdos, vista através de quem deles faz o seu quotidiano...
glaneur: respigador, colector... outrora nos campos, hoje nas cidades... a permanência de uma forma de vida, por opção ou necessidade... ou sobre o que não queremos ver e fingimos que não vemos.

howe gelb
theatro circo / Braga / 31 Janeiro

clap your hands say yeah -
clap your hands say yeah (2005)
álbum fundamental; indispensável... uma das edições mais originais a descobrir pelos mais distraídos.
some loud thunder"... novo álbum, 30 de Janeiro.

the knife - deep cuts (2004)

mais uma proposta electrodoméstica, bastante rica e diversificada, desta vez por um duo sueco; voz talvez invulgar e ritmos deveras originais. Audível em loop constante...

+ o espaço da faca

+ pass this on

+ download

na foto: 3º governo provisório declama poesia

a inutilidade dos arquivos de dados
uma teoria em cinco passos

a questão que se coloca é simples e redutora: o que é que se vai fazer daqui a quinze anos com um ficheiro de computador?

problema 1: abrir o suporte... cd? provavelmente já não se comercializa... disquete? já não se fabrica... usb? vai ser tão obsoleto como as portas din, DA-15 ou outras portas izquizitas e com nomes, vá lá, um bocadinho nerds, o são agora...

problema 2: partindo do pressuposto que se encontra um leitor vintage que funcione... em que programa abrir? experiência: tente-se abrir hoje um programa de cálculo que tenhamos feito em basic e esteja gravado numa cassete... ou então abrir um ficheiro do quark xpress...

problema 3: partindo do pressuposto que encontramos o programa na internet sem fios de 2022... o sistema de ficheiros vai ser diferente, até provavelmente esta coisa dos zeros e uns está ultrapassada

problema 4: os cd's não duram um século como se apregoa... a estimativa é de cinco anos ou corrosão... já alguém viu um cd de, digamos, 1987?

5: para que guardariam os nossos pais os cartões perfurados? ou as bobines de fita? o avante camaradas aconselha vivamente: apage-se os trabalhos. Não vale a pena arquivar, e... ena ena, economiza-se tostões, espaço, e tempo. Sociedade, empresas e informáticos estão todos enganados...

diz não ao arquivo

el perro del mar - el perro del mar (2006)
algures entre o Les Parapluies de Cherbourg e um dia de chuva... Da Suécia, um registo impressionante, um curativo para todas as feridas...
Para os dias de inverno que se avizinham...

Softlightes - Heart Made of Sound

sufjan stevens - put the lights on the tree

beach house - beach house (2006)
filigrana... ... ... sim, a palavra parece-me bem.

tap tap - lanzafame (2006)

parece-me que por estes dias a música alegre está fora de moda. Um álbum alternativo, contra a corrente. E contra a corrente do alternativo.

Alegre. A descobrir.

Cat Power \ Cinema Batalha \ Porto \ 5 Dezembro

+ living proof

jogos de simulação? gráficos? tiros? aviões? fadas? sudoku? ... tudo demodée... o verdadeiro desafio da nova década: jogo da separação

charles eames - kaleidoscope jazz chair (1960)

andy warhol - anúncio para a tdk

broadcast - tender buttons (2005)

minimalista, básico, mas incrivelmente rico em melodias, em momentos que requerem uma apreciação individual, em silêncio. pode a música ser... tender?

a paixão do momento

ellen allien & apparat - orchestra of bubbles (2006)

Um trabalho sob paisagens electrónicas, delicado e atento aos mínimos pormenores. Nunca cansativo... Hipnótico e viciante.

+way out teledisco

califone - roots and crowns (2006)
último registo, provavelmente o mais coeso... algures entre as raízes da música do atlântico e o experimentalismo sonoro. ... poético e brilhante. + The Orchids [mp3] + download

questão: - o teu local de trabalho é povoado por por incompetentes que acreditam que não o são? - faz-te impressão serem valorizadas as "sinergias produtivas" e expressões sortidas em vez de trabalho a sério? - o teu patrão disfarça a incompetência com frases feitas e reestruturações aleatórias? - entendes o roubar material de escritório como justiça popular? - acreditas que todas as políticas de redução de custos correspondem a sadismo pessoal dos gestores? - achas que metade do tempo livre na última década foi desperdiçado à espera que o browser descarregasse as páginas da net?

Dilbert, a mais corrosiva, sarcástica e cínica visão sobre o absurdo do teu local de trabalho. Como o sarcasmo ajuda a um emprego feliz. Terapêutico.

+ aliança estratégica + trabalho de equipa + mobilidade + demonstrar empenho + feiras de exposição

+ wiki + preview

charles eames . fiberglass chairs (1970)

curta metragem sobre a produção da "fiberglass chair" . + info

animal collective . leaf house

Boogie Nights
de Paul Thomas Anderson (1997)
Como fazer um épico sobre o que não é épico? A ascensão e queda de série de personagens nas produções de cinema porno dos anos 70 e 80, a par da própria era que com elas se desvanece.
Um filme sobre a procura pela dignidade, sobre a fragilidade do que é construído sobre aparências, sobre um glamour kitsch que esconde realidades comuns e feridas abertas.
Complexo, fascinante, seguro, nunca monótono, momentos hilariantes, corrosivo, sarcástico e com uma caracterização excepcional. Um filme de Thomas Anderson.

Na foto: promoção da nova margarina Planta durante a tarde da revolução dos cravos.

anja garbarek - briefly shaking (2005)
A Escandinávia parece seriamente empenhada em redefenir o panorama da música contemporânea. Anja Garbarek, algures entre o minimalismo das planícies geladas e a densidade urbana.
A descobrir...

Na imagem: redecoração de uma casa em 1974. Quadro do tirano dá lugar a serigrafias da Maluda por forma a combinar com os móveis do Kit-Market. Abril é redecoração.

Professione: Reporter
de Michelangelo Antonioni (1975)
Poucos filmes haverá em que a paisagem e o silêncio sejam tão fundamentais. Mais importante do que o que é dito, é o que fica por dizer. Uma coisa, tão fora de moda estes dias, a observação e a contemplação. Um road-movie? Talvez. Locke. Robertson. Ou como tudo o que parece certo não o é, e como é preciso ver para além do que consolidamos num primeiro julgamento. Um filme sobre identidade... + um link amigo (ou como um trailler transforma uma obra poética num thriller policial...)

The Royal Tenenbaums de Wes Anderson (2001)
Cínico, Sarcástico, subtil. Humor negro incomparável. Um filme feito de pormenores e subtilezas. Os Tenenbaums, uma família de prodígios de infância, que ao longo de vinte anos conhece o fracasso, a depressão, a indiferença... até que por fim, a reconciliação. No fundo, a inadaptação a tudo e o cinismo como forma de a superar. "it's the last time you put a knife at me..." "of course it's dark, it's a suicide note"

... Brand-New-Life, ao vivo, 1980. de um álbum como há poucos

fujiya, miyagi - transparent things (2006)
não, não são japoneses: fujiya é um gravador antigo, miyagi era o velhinho simpático do karaté kid...
E, já agora, Transparent Things é um livro de Vladimir Nabokov.
Algures entre o krautrock e a electrónica, uma inspiração Londrina que rema contra a corrente.

howe gelb - 'sno angel like you (2006)
... ao ouvir, há a sensação que fazer uma série de canções é tarefa fácil. Que tudo encaixa na perfeição, que afinal... era tão simples.
howe gelb, Giant Sand, Arizona, em mais uma incursão a solo, depois do seu encontro com os cânticos gospel. Uma combinação única, irrepetível, a não perder...

animal collective - feels (2005)
animal collective em três palavras: criatividade e criatividade. feels não são propriamente canções, é uma incursão numa síntese de uma série de signos, imagens e referências, capazes de nos trazer à memória o lucky luke, o 1,2,3 da moulinex, o toque do feltro dos lp's, a areia quente da praia, o odor do caril, os cromos da panini, os bailes de salão ou um programa da manhã numa rádio das Ilhas Faroë... unidade na diversidade um disco amarelo num mundo cinzento. curiosidade? ouvir aqui ...

na foto: mãe de militar do MFA prepara scones e leite com cacau para o filho e amigos na tarde de 25 de Abril, cansados depois de um dia repleto de actividades e jogos.

ceci n'est pas un blog...


 

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